Mostrando postagens com marcador fisioterapia desportiva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fisioterapia desportiva. Mostrar todas as postagens

sábado, 6 de abril de 2013

Adaptações cardiovasculares ao exercício físico


O exercício físico caracteriza-se por uma situação que retira o organismo da sua homeostase, pois implica no aumento da demanda energética da musculatura exercitada e, consequentemente, do organismo como um todo. Desta maneira, para suprir a demanda metabólica, várias adaptações fisiológicas são necessárias.
Para que esta homeostasia seja mantida, tanto o sistema respiratório quanto o sistema cardiovascular devem funcionar em conjunto liberando quantidades suficientes de oxigênio e nutrientes e removendo produtos do metabolismo de outros tecidos do organismo.
O aumento da necessidade de oxigênio como uma conseqüência do exercício físico é um dos principais desafios da homeostasia metabólica, uma vez que a demanda pode ser de 15 a 25 vezes maior que a demanda no repouso.

1 Adaptações cardiovasculares agudas ao treinamento

As respostas cardiovasculares agudas variam de acordo com o tipo, intensidade e duração do exercício e a massa muscular relacionada.

1.1 Tipo de exercício
  • Exercícios estáticos – isométricos: observa-se aumento da FC com manutenção ou até redução do VS e pequeno acréscimo do DC. Em compensação, verifica-se aumento da resistência vascular periférica, que resulta na elevação da PA sistêmica. Esses efeitos ocorrem porque a contração muscular mantida durante a contração isotônica promove obstrução mecânica do fluxo sanguíneo muscular, o que faz com que os metabólicos produzidos se acumulem, ativando quimiorreceptores musculares que promovem aumento expressivo da atividade nervosa simpática.
  • Exercícios dinâmicos – isotônicos: durante este tipo de exercício, as contrações musculares são seguidas da movimentação articular, o que impede o aumento da resistência vascular periférica pelo bloqueio vascular imposto pela contração muscular, além da produção de metabólicos musculares que promovem a vasodilatação. Neste tipo de exercício, também se observa aumento da atividade nervosa simpática, que é desencadeada pela ativação do comando central, mecanorreceptores musculares e, dependendo da intensidade do exercício, metaborreceptores musculares, o que leva ao aumento da FC, do VS e do DC.

Embora as respostas cardiovasculares sejam distintas dependendo do tipo de exercício escolhido, na prática os exercícios realizados possuem características mistas, de modo que as respostas cardiovasculares irão depender da contribuição de cada um desses componentes na atividade. Por exemplo, os exercícios de musculação, quando executados em alta intensidade, apesar de serem feitos de forma dinâmica, apresentam componente isométrico bastante elevado, portanto, irão desencadear alterações referentes a este tipo de exercício. Em contrapartida, os exercícios aeróbicos apresentam mais características dinâmicas que estáticas, o que ocasionará alterações mais relacionadas com os exercícios dinâmicos.

1.2 Intensidade X duração
Quanto maior a intensidade, maior as alterações.
Quanto maior a duração com alta intensidade, maior as alterações.
Se a intensidade for inferior ao limiar anaeróbio, as alterações não irão acontecer, mesmo se o exercício for realizado em longa duração.

1.3 Massa muscular
Quanto maior a massa muscular exercitada de forma dinâmica, maior é o aumento da FC, mas menor é o aumento da PA.

1.4 Hipotensão pós-exercício
Caracteriza-se pela redução da PA durante o período de repouso, fazendo com que os valores pressóricos observados pós-exercício sejam inferiores aos valores antes do exercício ou até mesmo menor que os valores medidos em um dia controle, sem exercícios físicos.
Para que a hipotensão pós-exercício tenha importância clínica, é necessário que ela tenha grande magnitude e/ou perdure por mais de 24h.
A hipotensão pós-exercício é mais comum em exercícios aeróbios com intensidade leve a moderada, porém em longas durações. Contudo, exercícios resistidos de baixa ou alta intensidade podem reduzir a PA sistólica.
Independente do mecanismo hemodinâmico sistêmico, a resistência vascular estará reduzida após o exercício e isto se deve à vasodilatação muscular mantida após o exercício.

2 Adaptações cardiovasculares crônicas ao exercício


Em resposta ao treinamento físico, algumas alterações cardiovasculares acontecem. Uma resposta aguda é aquela que servirá tanto para uma pessoa sedentária quanto para um atleta ao realizar a mesma atividade física. A resposta crônica, por sua vez, é a adaptação da estrutura e sua função após a realização contínua de determinada atividade física e isso se dá através do treinamento.

2.1 Volume plasmático
O treinamento de endurance faz o aumentar o volume sanguíneo, sendo que esse efeito é maior com o treinamento intenso.
  • O exercício aumenta a liberação do hormônio antidiurético e da aldosterona, o que impede a dispersão de líquidos
  • O exercício aumenta a quantidade de proteínas plasmáticas, principalmente da albumina, que são responsáveis pela pressão osmótica do sangue
  • O número real de eritrócitos aumenta com o treinamento de endurance, contudo, se comparada com o aumento do volume plasmático, este diminui
A relação entre o aumento do volume plasmático e do volume celular resultam em uma aumento da porção líquida sanguínea, o que reduz a viscosidade do sangue, o que, consequentemente, pode facilitar o movimento do sangue nos vasos sanguíneos.

2.2 Hipertrofia excêntrica
O músculo cardíaco, assim como o músculo esquelético, sofre hipertrofia como resultado do treinamento de endurance crônico. O ventrículo esquerdo, que é a câmara cardíaca que tem trabalho mais intenso, é quem sofre as maiores alterações, podendo ter aumento de seu volume em até 85% de seu tamanho normal.

2.3 Volume de ejeção
Como resultado do treinamento de endurance, o volume de ejeção apresenta um aumento global. A massa muscular ventricular aumentada pode produzir uma contração mais forte.
Este aumento de contratibilidade aumenta, consequentemente, a retração elástica do miocárdio, que resulta em um maior enchimento diastólico. Uma maior quantidade de sangue entra no ventrículo esquerdo e uma maior porcentagem do sangue que entra é expulsa do ventrículo a cada contração, aumentando assim o volume de ejeção.
  • Mecanismo de Frank-Starling: o principal fator no controle do volume de ejeção é a magnitude do volume de distensão. Quando o ventrículo se distende mais, ele se contrai com mais força.
  • Aumento do volume plasmático: a maior quantidade de sangue que entra no ventrículo aumenta a distensão das paredes ventriculares.

2.4 Frequência cardíaca
  • De repouso: Pode diminuir acentuadamente como resultado do treinamento de endurance. A freqüência cardíaca de repouso pode diminuir cerca de 1bpm por semana, durante as primeiras semanas de treinamento. Os mecanismos reais para essa diminuição não são totalmente conhecidos, mas parece que o treinamento aumenta a atividade parassimpática no coração, ao mesmo tempo em que diminui a atividade simpática.
  • Sub-máxima: o maior condicionamento aeróbico resulta numa freqüência cardíaca proporcionalmente menor numa determinada taxa de trabalho. Essas diminuições indicam que o coração se torna mais eficiente com o treinamento.
  • Máxima: tende a ser estável e geralmente permanece relativamente inalterada após um treinamento de endurance.

2.5 Recuperação da freqüência cardíaca
Após uma atividade física a freqüência cardíaca não volta ao seu estado de repouso imediatamente. Em vez disso, ela permanece alta por algum tempo, retornando lentamente ao seu nível de repouso.
Após um período de treinamento, a freqüência cardíaca volta muito mais rápido ao seu nível de repouso que antes do treinamento. Desta maneira, sua mensuração tem sido utilizada como indicador das alterações cardiovasculares ao exercício.
Vários fatores, além do nível de treinamento podem alterar a recuperação da freqüência cardíaca de repouso:
  • Ambientes quentes ou altitudes elevadas
  • Alta responsividade simpática

2.6 Interações entre a freqüência cardíaca e o volume de ejeção
Durante o exercício, a freqüência cardíaca combina com o volume de ejeção para fornecer um débito cardíaco adequado para a taxa de trabalho a ser realizada.
  • Se a freqüência cardíaca for muito elevada, a diástole é reduzida e o volume de ejeção pode ser diminuído
  • Se a freqüência cardíaca for baixa, a diástole é maior e o volume de ejeção aumenta
A combinação do volume de ejeção aumentado e da frequência cardíaca diminuída é uma forma muito eficaz para que o coração satisfaça as demandas do corpo. O coração despende menos energia contraindo mais forte e com menos freqüência em resposta ao treinamento que se a freqüência cardíaca aumentasse.
Alterações da freqüência cardíaca e do volume de ejeção em resposta ao treinamento ocorrem concomitantes e com o mesmo objetivo: aumentar a quantidade de sangue oxigenado expulso do coração com o menor gasto energético.

2.7 Débito cardíaco
Quando em repouso ou durante um exercício submáximo, o débito cardíaco não altera muito após o treinamento de endurance. Contudo, o débito cardíaco aumenta com taxas máximas de trabalho. Esse aumento é resultante principalmente do aumento do volume de ejeção.

2.8 Fluxo sanguíneo
Músculos ativos necessitam de quantidade de oxigênio e de nutrientes consideravelmente maiores. À medida que os músculos se tornam mais bem treinados, o sistema cardiovascular se adapta para aumentar o fluxo de sangue para a região. Quatro fatores são responsáveis por esse aumento de suprimento:
  • Aumento da capilarização muscular
  • Maior abertura dos capilares existentes nos músculos treinados
  • Redistribuição sanguínea mais efetiva
  • Aumento do volume sanguíneo

2.9 Pressão arterial
Durante os exercícios de endurance observa-se um aumento da pressão arterial sistólica e manutenção ou redução da pressão diastólica. No entanto, a pressão arterial de repouso, tanto sistólica como diastólica, diminuem. Os mecanismos para essa redução ainda são desconhecidos.

domingo, 24 de março de 2013

Lesões nos esporte

A prática de esportes é muito benéfica para a saúde da população. Ela melhora as condições cardiorrespiratórias, controla os valores de pressão arterial, aumenta a resistência física, fortalece a musculatura, previne patologias músculo-esqueléticas, libera endorfina e serotonina, controla os níveis de colesterol e triglicérides no sangue, entre outros benefícios.
Contudo, a prática de atividades físicas de maneira inadequada pode levar à lesões músculo-esqueléticas graves. Uma postura inadequada, uma carga de treinamento elevada, a utilização de resistência acima dos valores que a pessoa possa suportar são alguns exemplos das principais causas de lesões em atletas amadores.
Na maioria dos casos, o atleta amador procura superar seus limites ou então tenta igualar seu treinamento com o de um atleta profissional. Assim, ele tende a aumentar seu treinamento de maneira não gradual e acaba realizando atividades para as quais ele ainda não está preparado. O resultado disto são lesões músculo-esqueléticas graves e agudas que, se não tratadas adequadamente, podem se tornar condições patológicas crônicas.
Em relação aos atletas de alta performance, existe uma contradição em relação aos benefícios do esporte. Ao contrário do que as pesquisas indicam sobre os benefícios da prática de atividades físicas na saúde, para o atleta de alta performance a prática de esportes está associada com condições patológicas agudas e crônicas.
Este tipo de desportista está a todo momento tendo que superar seus limites e apresentar um desempenho acima do que é considerado saudável. A carga de treinamento é intensa e exaustiva. As lesões músculo-esqueléticas agudas são comuns a este tipo de atleta e as lesões crônicas são uma certeza, principalmente as lesões mioarticulares.

1 Lesões mais comuns

1.1 Contusão
Esse tipo de lesão é comum em todos os tipos de esporte, principalmente nos esportes de contato. Ela é uma escoriação geralmente ocasionada por uma pancada, contudo, não é um tipo de lesão muito grave.
1.2 Luxação
Esta lesão ocorre quando acontece uma descongruencia articular, ou seja, a perda de contato entre os ossos de uma articulação. Tipo de lesão comum em jogadores de vôlei, tendo como as articulações mais acometidas as articulações interfalangeanas e a articulação glenoumeral.
1.3 Tendinite
É uma inflamação de um tendão e ocorre principalmente quando se é necessário a repetição de um determinado movimento. Todos os tipos de atletas estão predispostos a apresentar este tipo de lesão, principalmente se não costumam realizar alongamentos.
1.4 Entorse
A entorse é uma lesão que acontece quando a articulação sofre algum dano, como o deslocamento dos ossos ou até mesmo a ruptura parcial de algum ligamento. É um tipo de lesão que não possui nenhum precedente, podendo ser causada até por um tropeço. Atinge principalmente as articulações de membro inferior.
1.5 Distensão muscular
Também conhecida como estiramento muscular, é uma ruptura das fibras dos músculos ou da fáscia muscular. Na maioria dos casos é causada por um grande esforço ou estresses muscular.
1.6 Ruptura de tendão ou ligamento
Principal vilão dos atletas, pois deixa o desportista incapacitado de praticar o esporte. A ruptura de um tendão ou de um ligamento acontece devido a um grande esforço sobre essa área, diminuindo a sua resistência. Esse tipo de lesão ocorre quando o desportista realiza um movimento errado ou realiza uma desaceleração.
1.7 Fratura
É uma ruptura do osso, causando sua descontinuidade. Pode ser causada por estresse, pancada ou até mesmo o excesso de treino.

2 Lesões causadas por overtraining

2.1 Supertreinamento: pode ser resultado de exercícios de curta duração e alta intensidade ou por exercícios de longa duração e baixa intensidade. A prevenção para essas lesões é evitar grandes volumes no aumento da duração ou da intensidade desse treinamento, sendo indicado um aumento de 10% por semana.
2.2 Uso de calçado inadequado: com a tecnologia atual é possível encontrar calçados adequados para cada atividade física. Contudo, se o calçado for inadequado para a modalidade física, podem ser desenvolvidas dores crônicas nos pés, tornozelos, joelhos e coluna.
2.3 Alimentação inadequada e desidratação: estar atento a hidratação antes, durante e após a realização da atividade física, estando sempre atento ao controle dos eletrólitos que são perdidos durante a transpiração. Também é importante a nutrição balanceada baseada na tríade carboidratos, lipídeos e proteínas, lembrando que antes da realização de atividade física é importante a ingestão de carboidratos.

3 Prevenção – Forma de tratamento mais eficaz

·         Estudar rigorosamente a sessão programada
·         Analisar os riscos de cada exercício
·         Avaliar clínica, física e psicologicamente o atleta
·         Fazer um treinamento específico para cada modalidade. Atletas de fim de semana são mais propensos à lesões
·         Fazer alongamento antes e depois de qualquer atividade física
·         Manter sempre o equilíbrio muscular, ou seja, a força
·         Conhecer bem as regras do esporte que será realizado
·         Usar os equipamentos de proteção e as roupas de cada esporte

4 Orientação para os primeiros socorros – Até 24h após a lesão

  • Repouso: a estrutura lesada deverá ficar em repouso imediato, respeitando-se a dor do atleta
  • Gelo: aplicar gelo na superfície lesada a cada 2h
  • Compressão: a compressão da área afetada controla o edema e o hematoma
  • Elevação do membro afetado: é importante para evitar a reação inflamatória, pois favorece o retorno venoso, diminuindo a formação de edemas e hematomas
  • O que não fazer
    • Calor: evitar qualquer forma de calor na região, pois estimula a circulação local, o que pode provocar edema e hematoma
    • Álcool: não ingerir bebidas alcoólicas, pois possuem características vasodilatadoras
    • Massagem: não é indicada na fase aguda ou inflamatória, pois pode aumentar o edema

5 Objetivos da fisioterapia desportiva

Em qualquer lesão, ocorrem eventos fisiológicos específicos em resposta ao traumatismo. Cabe ao fisioterapeuta reduzir a gravidade desses efeitos fisiológicos, optimizar o tempo de cicatrização e devolver o atleta à competição o mais cedo possível sem comprometer seu bem-estar.
  • Eliminar a dor
  • Recuperar a mobilidade e a estabilidade da área lesada
  • Recuperar a flexibilidade e força da musculatura envolvida
  • Planejar o retorno ao treinamento específico através de um treinamento proprioceptivo, para ganho de segurança, confiança, força, agilidade e coordenação
Quando se fala de tratamento aos atletas lesados, condição inerente ao esporte e frequente durante todo o ano, é necessário compreender o protocolo, onde o então paciente deve ser encaminhado para o departamento Médico-fisioterápico para uma avaliação médica e fisioterapeutica para elaboração do diagnóstico e tratamento a ser realizado, este último sendo prescrito e supervisionado pelo fisioterapeuta.
O retorno pleno do atleta é progressivo e gradual, respeitando sempre o equilíbrio entre sua capacidade e a demanda das atividades. O processo do veto ou liberação do atleta para a prática esportiva, treinos e jogos é uma decisão conjunta entre médico e fisioterapeuta.

5.1 Técnicas para reabilitação

O uso de várias modalidades terapêuticas pode ser essencial no controle e na redução das respostas fisiológicas. Se um programa de reabilitação não for instituído de combinações entre as seguintes modalidades, o ciclo da lesão poderá prosseguir:
  • Eletrotermofototerapia: estimulação e potencialização muscular, remição cicatricial, controle da dor
  • Mecanoterapia: fortalecimento progressivo resistido
  • Cinesioterapia: fortalecimento com resistência elástica, alongamentos, exercícios posturais...
  • Terapia manual: atuação nos desarranjos posturais, métodos para ganhar amplitude de movimento, diminuição da dor, liberação miofascial...
  • Treino funcional: processo de reabilitação final, seguindo o princípio da especificidade
  • Exercícios proprioceptivos: melhora a resposta sensório-motora para a prática esportiva e proteção mioarticular
  • Massoterapia: tratamento para contraturas e espasmos musculares
  • Estabilização segmentar – Core Training e Pilates: fortalecimento da região pélvica, abdominal e paravertebral
  • Bandagem funcional: atua na limitação de movimentos preservando a área lesada e na diminuição do quadro de dor em injúrias miofascial
O exercício precoce é essencial para a reabilitação do atleta. Eles podem aprimorar sua condição física pós-lesão em cerca de 1% ao dia, enquanto perdem cerca de 3-7% caso permaneçam completamente inativos. Portanto, quanto mais longo o período de tempo de inatividade do atleta, mais longo será o período necessário para completar o programa de reabilitação.

5.2 Programa de reabilitação

Cada programa de reabilitação deve ser individualizado, levando em consideração as características físicas e esportivas do atleta, o tipo e grau de lesão, lesões secundárias, a resposta ao tratamento... Um programa de fisioterapia deve ser elaborado de forma a atender as necessidades do atleta, abordar as deficiências específicas e levar em conta as demandas funcionais específicas do atleta para cada atividade física, por isso a importância de uma avaliação fisioterapêutica adequada.
Antes de iniciar um programa de reabilitação, o fisioterapeuta, o técnico e o atleta deverão elaborar um conjunto de objetivos de curto, médio e longo prazo, baseados na lesão do atleta, no procedimento cirúrgico realizado e na necessidade de competição. Os objetivos podem ser delineados em relação à amplitude de movimento, à sustentação do peso e à progressão da resistência nos exercícios.
O uso de protocolos de reabilitação preestabelecidos como diretrizes para a progressão do atleta através do programa de reabilitação pode ser valioso. Estes deverão se fundamentar em princípios derivados sobre o tempo de cicatrização lesional e cinemática articular.
O avanço da reabilitação do atleta deverá basear-se na avaliação diária do fisioterapeuta, quanto aos relatos subjetivos e os achados objetivos. A progressão de uma fase para a outra deverá ocorrer depois que o atleta alcançar os objetivos da fase atual.

5.5 Avaliação fisioterapeutica pós-lesional

A avaliação adequada de uma lesão é primordial para a prescrição de um tratamento. É necessário conhecer a principal queixa do paciente, o mecanismo de lesão, os sinais e sintomas aparentes e a gravidade da lesão.
Para tanto, deve ser realizada uma anamnese detalhada, buscando identificar as causas principais e secundárias da lesão; uma avaliação física com testes específicos para o tipo de lesão relatada e possíveis lesões secundárias; uma inspeção e palpação para a identificação de pontos dolorosos e alterações estruturais; teste de força muscular; análise dos exames complementares, que dirão a extensão da lesão... A partir dos resultados da avaliação, é possível criar um programa de tratamento.
Após o início do programa, é primordial a reavaliação do atleta, para se ter uma noção do avanço no tratamento. Nem sempre uma modalidade de tratamento surti o efeito desejado em determinado atleta e é nas reavaliações que o fisioterapeuta poderá ter um feedback da escolha do programa. Além disso, causas externas ao treinamento também podem interferir na evolução da reabilitação e a identificação e correção dessas causas são fundamentais para o sucesso do programa.

5.4 Fisioterapia desportiva preventiva

A fisioterapia desportiva dedica-se não somente a reabilitação do atleta lesionado, mas também à adoção de medidas preventivas a fim de reduzir a ocorrência de lesões. Um trabalho adequado preventivo, além de melhorar a performance dos atletas, certamente trás economia para o grupo/equipe, sendo necessário menos recursos financeiros no tratamento dessas lesões.
A fisioterapia desportiva tem buscado as mais diversas possibilidades para que cada vez menos lesões venham ocorrer durante estas atividades esportivas. Um exemplo são as atividades proprioceptivas, que, implementadas no dia-a-dia dos atletas, têm demonstrado a eficácia no equilíbrio e senso de posição articular, além da melhora na resposta sensório-motora e a sua eficácia é comprovada através de diversos estudos. Além destes, o Core Training, técnica de fortalecimento e estabilização do centro do corpo, transmitindo força sinérgica aos membros e estabilidade segura aos movimentos explosivos do esporte, também traz um diferencial para os atletas.

5.5 Avaliação fisioterapeutica preventiva

A avaliação fisioterapeutica pré-participação e as reavaliações de controle são de extrema importância na prevenção e diminuição de lesões, pois o fisioterapeuta é capaz de analisar as alterações biomecânicas, aspectos fisiológicos e de treinamento de cada atleta, além dos equipamentos utilizados na prática esportiva. Atua nos fatores de risco encontrados na avaliação, prevenindo assim a ocorrência de lesões e o consequente afastamento do esporte.
  • Segurança na prática do esporte
  • Melhora do bem estar e qualidade do treinamento
  • Diminuição de queixas e desconfortos advindos da prática de esportes
  • Conforto e praticidade
  • Uso de equipamentos adequados
  • Diminuição na incidência de lesões
Para tanto, o fisioterapeuta deve os treinos e os jogos do atleta para conhecer as exigências específicas da modalidade esportiva realizada e identificar as causas e fatores de risco de uma possível lesão.
Um roteiro objetivo e claro para avaliação fisioterapeutica na pré-temporada de um atleta seria:
  • Identificação do atleta: modalidade esportiva, posição (em esportes de equipe), idade, sexo, membro dominante
  • Histórico de lesões, seus respectivos tratamentos e resultados
  • Queixas atuais, se existentes realizar uma avaliação aprofundada
  • Análise postural
  • Podologia
  • Avaliação isocinética (dinamômetro), principalmente dos músculos mais utilizados durante a prática esportiva
  • Testes específicos funcionais: amplitude e velocidade de movimento, estabilização articular, compensação muscular acessória
  • Avaliação proprioceptiva, principalmente de membros inferiores
  • Eficiência e consciencia da musculatura estabilizadora (transverso do abdome, glúteo máximo, trapézio inferior, vasto medial)
  • Testes cardiorrespiratórios específicos
Não é raro um atleta omitir durante a anamnese relatos sobre sua condição física ou queixas atuais, fatos que podem ser trazidos à tona durante uma avaliação física criteriosa. Nesses casos, não se deve julgar o atleta e recriminá-lo. É necessário, todavia, ganhar a sua confiança e alertá-lo dos riscos de lesões que sua condição atual poderá causar.

5.6 Perfil do fisioterapeuta desportivo

O funcionamento básico para um bom profissional na área desportiva são exatamente os conhecimentos básicos de anatomia, cinesiologia, fisiologia humana e biomecânica. O profissional, inevitavelmente, estará sujeito a inúmeras e constantes pressões e cobranças em termos ao resultado do seu tratamento, para um retorno funcional e no menor tempo possível do atleta à sua prática esportiva.
O trabalho do fisioterapeuta desportista é muito diferente do trabalho de um fisioterapeuta comum, pois tudo tem que ser muito rápido e funcionalmente mais efetivo, pois o atleta, mais do que qualquer outro indivíduo, precisará todas as funções do seu corpo no máximo de potencia e amplitude para execução perfeita de todos os movimentos.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Adaptações hormonais aos exercícios


1 Organização do sistema endócrino
  • Hormônios
  • Especificidade hormônio-célula alvo
  • Especificidade hormônio-receptor
  • Efeitos dos hormônios sobre as enzimas
  • Fatores que determinam os níveis hormonais
  • Padrões de liberação hormonal

Hormônios da hipófise anterior
Hormônio
Órgão alvo
Hormônios secundários
Lactogênio (prolactina)
Mama

Gonadotrópicos (FSH, LH)
Ovários
Estrogênio, progesterona
Testículos
Testosterona
ACTH (corticotropina)
Córtex suprarrenal
Cortisol
Aldosterona
Tireotropina
Tireóide
Tiroxina (T4)
Tri-iodotironina (T3)
Crescimento (somatotropina)
Muitos órgãos

Endorfinas
Muitos órgãos e tecidos


2 Hormônio do crescimento – GH (forma de texto)
Entre suas ações diretas estão as ações antiinsulina. Dificulta a captação da glicose para manter o nível sanguíneo de açúcar e, no tecido adiposo, libera triacilglicerol.
Sua ação indireta é promover o anabolismo. Ele promove a liberação de somatomedinas no fígado e em outros órgãos. Seus efeitos não esqueléticos são o aumento da síntese protéica e o crescimento celular. Seus efeitos esqueléticos são a maior formação de cartilagem e o crescimento esquelético.
  • A Atividade física: eleva a quantidade de hormônio secretado em cada pulso; estimula a liberação de isoformas com meia-vida mais longas; beneficia o crescimento e a remodelagem do osso, músculo e do tecido conjuntivo; otimiza a mistura de combustível durante o exercício, reduzindo a captação tecidual de glicose, aumentando a mobilização de ácidos graxos livres e acelerando a glicogênese hepática; preserva a concentração plasmática de glicose para o bom funcionamento muscular e do SNC;

3 Prolactina
  • Exercício agudo: os níveis de prolactina aumentam com as altas intensidades do exercício e retornam ao nível basal dentro de 45 min. A liberação repetida do hormônio pode inibir a função ovariana e ocasionar alterações no ciclo menstrual.
  • Exercício crônico: os níveis de prolactina em corredores do sexo masculino eram em média inferiores aos de uma pessoa sedentária.

4 Gonadotrópicos
  • Exercício agudo: a concentração de LH aumenta antes do início do exercício agudo e alcança o pico durante a recuperação.
  • Exercício crônico: a atividade física regular deprime as respostas dos hormônios reprodutivos de homens e mulheres.
    • Mulheres: alteração dos níveis de LH e FSH em diferentes períodos do ciclo menstrual

5 Tireotropina
  • Exercício agudo: Nem sempre a produção de TSH aumenta durante a realização do exercício, mesmo este sendo relacionado ao metabolismo corporal

6 Adrenocorticotrófico
  • Exercício agudo: os níveis podem aumentar proporcionalmente à intensidade e a duração do exercício. A atividade física de alta intensidade pode favorecer a liberação de inibidores de ACTH.
  • Exercício crônico: o treinamento faz aumentar a liberação de ACTH durante a atividade física, o que promove a atividade das glândulas suprarrenais de forma a aumentar o catabolismo das gorduras e poupar o glicogênio.

7 Tireoidianos
  • Exercício agudo: níveis de T4 livres aumentam em 35%
  • Exercício crônico: resposta coordenada hipofisárea-tireóidea que reflete a maior renovação dos hormônios tireoideanos

8 Hormônios da hipófise posterior – ADH (antidiurético)
  • Exercício agudo: estímulo para a secreção de ADH, o que ajuda a conservar os líquidos corporais e, consequentemente, contribui para a modulação eficiente da resposta cardiovascular do exercício
  • Exercício crônico: não produz alteração nos níveis de liberação de ADH, contudo a concentração de ADH diminui com o treinamento ao exercitar-se com a mesma intensidade sub-máxima absoluta

9 Hormônios paratireoidianos
  • Exercício agudo: aumenta a liberação do hormônio, o que contribui sobre o crescimento da massa óssea
  • Exercício crônico: preserva a massa óssea durante o envelhecimento

10 Hormônios suprearrenais – epinefrina e norepeinefrina
  • Exercício agudo: induz maior produção de epinefrina, proporcionalmente a duração e intensidade do exercício físico
  • Exercício crônico: a produção dos hormônios cai drasticamente nas primeiras semanas de treinamento. Acontecendo também bradicardia e uma menor elevação dos níveis de PA durante o exercício submáximo

11 Hormônios suprarrenais – aldosterona
  • Exercício agudo: é necessário atividades físicas superiores a 45 min para se observar o efeito deste hormônio, que é na recuperação
  • Exercício crônico: o treinamento não interfere nos níveis deste hormônio

12 Hormônios suprarrenais – cortisol
  • Exercício agudo: a renovação do cortisol é proporcional à intensidade e duração da atividade física. O hormônio acelera a lipólise, a cetogenese e proteólise e tem papel fundamental na recuperação e reparo dos tecidos
  • Exercício crônico: aumento no volume das glândulas suprarrenais

13 Hormônios pancreáticos - insulina
  • Exercício agudo: inibição na produção de insulina, promovendo a obtenção de energia pelos ácidos graxos livres mobilizados pelos adipócitos

14 Hormônios pancreáticos – glucagon
  • Exercício agudo: a diminuição da concentração de glicose plasmática durante o exercício estimula a produção de glucagon