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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Autismo

Embora inúmeras pesquisas venham sendo desenvolvidas para a definição do que seja o autismo, esse transtorno é uma condição classificada no DSM-5 como pertencente à categoria denominada Transtorno de Desenvolvimento.
Desde a primeira descrição, feita por Kanner em 1943, existe um consenso em torno do entendimento de que o que caracteriza o autismo são aspectos observáveis que indicam déficits na comunicação e na interação social, além de comportamentos repetitivos e áreas restritas de interesse.
O transtorno do espectro do autismo é um transtorno invasivo do desenvolvimento que persiste por toda a vida e não possui cura nem causas claramente conhecidas. No entanto, sabe-se que intervenções e métodos educacionais com base na psicologia comportamental têm demostrado reduzir os sintomas do espectro do autismo e promover uma variedade de habilidades sociais, de comunicação e comportamentos adaptativos.

Diagnóstico

Critérios clínicos para o estabelecimento do diagnóstico indicam que os primeiros sinais do transtorno podem ser identificados entre 6 e 12 meses, tornando-se mais perceptíveis e estáveis entre os 18 e 24 meses. Contudo, mesmo com a constatação de possibilidades de rastreamento ainda na primeira infância, apenas uma minoria dos casos é diagnosticada antes do período pré-escolar.
Se esse diagnóstico for realizado nos primeiros 3 anos e associado a intervenções precoces intensivas e de longo prazo, terá um impacto positivo no prognóstico, sobretudo em relação à adaptação psicossocial e familiar, ao desempenho cognitivo, ao comportamento adaptativo e às habilidades de comunicação e interação social.
O diagnóstico é essencialmente clínico. Leva em conta o comprometimento e o histórico do paciente e norteia-se pelos critérios estabelecidos por DSM–IV (Manual de Diagnóstico e Estatística da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria) e pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças da OMS).

Sintomas

O quadro clínico de uma criança com autismo apresenta:


  • ausência de qualquer contato interpessoal, incapacidade de aprender a falar, incidência de movimentos estereotipados e repetitivos, deficiência mental;
  • o portador é voltado para si mesmo, não estabelece contato visual com as pessoas nem com o ambiente; consegue falar, mas não usa a fala como ferramenta de comunicação (chega a repetir frases inteiras fora do contexto) e tem comprometimento da compreensão;
  • domínio da linguagem, inteligência normal ou até superior, menor dificuldade de interação social que permite aos portadores levar vida próxima do normal.
Na adolescência e vida adulta, as manifestações do autismo dependem de como as pessoas conseguiram aprender as regras sociais e desenvolver comportamentos que favoreceram sua adaptação e auto-suficiência.
Segundo uma cartilha criada pela AUMA (Associação dos Amigos da Criança Autista), caso a criança apresente pelo menos sete das características a seguir, ela pode ser portadora do transtorno.


     

  

  

  


Tratamento

Até o momento, não existe tratamento padrão que possa ser utilizado. Cada paciente exige acompanhamento individual, de acordo com suas necessidades e deficiências. Contudo, de acordo com estudos realizados na área, a inclusão social desses indivíduos favorece o desenvolvimento psicossocial das crianças autistas.


Referências
VARELA, D. Autismo. Disponível em: http://drauziovarella.com.br/crianca-2/autismo/. Acesso em: 02/04/2015.
AMA. Autismo - definição. Disponível em: http://www.ama.org.br/site/pt/definicao.html. Acesso em 02/04/2015.
AUMA. Autismo. Disponível em: http://aumapassofundors.blogspot.com.br/. Acesso em 02/04/2015.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Síndrome do homem rígido

A síndrome do homem rígido, também denominada Síndrome de Moersch-Woltmann, é definida como uma condição caracterizada por espasmos persistentes, abrangendo vários músculos do corpo, principalmente os músculos dos membros inferiores e do tronco. Esta condição tende a surgir entre os 40 e 60 anos de idade em ambos os sexos. Por esse motivo, o termo mais adequado para esta síndrome seria a Síndrome da Pessoa Rígida.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas desta síndrome surgem de forma insidiosa nos músculos axiais, ou seja, músculos do tronco, com os pacientes apresentando uma postura totalmente ereta, com rigidez muscular e dor nas costas. Inicialmente os espasmos são intermitentes, tornando-se contínuos com o evoluir da síndrome.
Nos estágios mais avançados da desordem, há o acometimento dos músculos de membros inferiores e o paciente tende a mover-se mais lentamente e apresentando espasmos vigorosos e duradouros. Relatos afirmam que o paciente pode sofrer espasmos musculares que duram de cinco minutos a uma hora.
Os espasmos podem afetar a face a laringe, dificultando a deglutição e a fala. A acentuação da lordose a depressão também podem ser encontradas nesses pacientes.
Nos estágios finais da doença, o paciente apresenta grande dificuldade de realizar suas atividades da vida diária, além de apresentar disfunção respiratória, lesões musculares e até mesmo fraturas causadas pelas violentas contrações musculares.

Causas

Não existe ainda um consenso sobre a causa desta síndrome, contudo, acredita-se que este distúrbio resulte da presença circulantes contra a enzima descarboxilase do ácido glutâmico (DAG), uma enzima que limita a velocidade da síntese do neurotransmissor inibitório gama-amino-butírico (GABA), o que provoca contrações musculares de grande duração.
Foi observado em alguns estudos que o estresse emocional como a depressão ou a ansiedade; estímulos ambientais como a iluminação e os ruídos; movimentos voluntários ou até mesmo passivos; podem ser desencadeantes das contrações involuntárias.

Tratamento

Ainda não existe um tratamento eficaz para esta síndrome, sendo o atual um tratamento paliativo. Envolve o uso de relaxantes musculares, como as benzodiazepinas, que potencializam a ação do GABA. Contudo, ao passo que a desordem evolui este tratamento perde a eficácia.
Alguns profissionais da área recomendam a realização de tratamentos imunossupressores, plasmaferase e até administração intravenosa de imunoglobulina. Também já foram testados o uso do anticorpo monoclonal rituximab e de propofol, apresentando bons resultados evidenciados por uma remissão duradoura dos sintomas. Contudo, a condição rara desta síndrome dificulta estudos mais detalhados em relação ao tratamento.

Atuação da fisioterapia

De acordo com os especialistas, uma importante forma de tratamento é a fisioterapia, que pode auxiliar consideravelmente na minimização dos espasmos musculares. Contudo, os fisioterapeutas deparam-se com desafios devido à escassez de informações na literatura.
Há falta de informação sobre a intervenção da fisioterapia no manejo dos pacientes com esse distúrbio. Exercícios terapêuticos e treinamento funcional, englobando técnicas de alongamento e relaxamento musculares, transferências de decúbito e treino progressivo da marcha, mostraram melhoria da amplitude de movimento, postura e marcha, apesar da permanência da rigidez muscular, do espasmo e da dor.
A natureza crônica, progressiva e variável deste distúrbio justifica a intervenção contínua da fisioterapia, já que esta mostrou ter alguma importância na melhoria dos sintomas.

Convulsão pós AVC

O acidente vascular cerebral (AVC) é caracterizado pela perda rápida da função neurológica recorrente pelo entupimento ou rompimento de vasos sanguíneos cerebrais. É um doença de início súbito na qual o paciente pode apresentar paralização ou dificudade de movimentação de um hemisfério do corpo, dificuldade na fala ou articulação das palavras e déficit visual de súbito de parte do campo visual.
As principais sequelas do AVC são as sequelas motoras e de linguagem, porém várias outras complicações podem ocorrer, entre elas as crises convulsivas.
Os AVCs constituem uma das causas mais importantes de crises convulsivas tardias, sendo observado em cerca de 30 a 45% dos indivíduos com mais de 60 anos que passam por convulsões.

Convulsão é a mudança súbita de comportamento provocada pelo excesso de atividade elétrica no cérebro. Estas alterações podem refletir-se a nível da tonicidade corporal, gerando contrações involuntárias musculares com movimentos desordenados, alterações do estado mental ou outros sintomas psíquicos.

Tipos de convulsão

De ausência: a pessoa perde a consciência por um breve momento;
Clônicas: apresenta movimentos involuntários em ambos os lados do corpo;
Mioclônicas: envolvem movimentos voluntários da parte superior do corpo;
Tônicas: contração súbita de um grupo muscular. Mais frequente durante a noite;
Atônicas: perda do controle muscular, fazendo a pessoa cair e até desmaiar;
Tônico-clônicas: envolve a combinação dos sintomas das convulsões clônicas e tônicas.

Recomendações

Diante de um quadro de convulsão:

  • Deite a pessoa de lado para que não se engasgue com a própria saliva ou vômito;
  • Remova todos os objetos ao redor que tenham risco de machucá-la;
  • Afrouxe-lhe as roupas;
  • Erga o queixo para facilitar a passagem de ar;
  • Não introduza nenhum objeto na boca ou tente puxar a língua;
  • Permita que a pessoa descanse ou até durma após uma crise


O que não fazer

Durante e após um crise convulsiva é importante que certos cuidados sejam tomados para garantir a integridade física tanto da pessoa que está sofrendo a convulsão como do seu acompanhante:

  • Não se deve imobilizar os membros superiores e inferiores durante a crise, isso pode causar lesões físicas tanto na pessoa que está sofrendo a convulsão como naquela que está tentando contê-lo;
  • Não tentar balançar a pessoa, esse procedimento pode provocar falta de ar;
  • Não coloque os dedos dentro da boca da pessoa, a contração muscular involuntária dos músculos da mastigação pode fazer com que a pessoa lhe morda com bastante força e isso pode machucá-lo;
  • Em casos associados com febre, não dar banhos, pois a pessoa corre o risco de se afogar, principalmente os banhos de banheira. Também não se deve usar compressas de álcool, visto o risco de lesões oculares e o perigo de acidentes com chamas;
  • Não medique durante a crise, os reflexos da pessoa estão alterados e ela pode se engasgar com o medicamento. Também não administre medicamentos sem consultar um médico;
  • Não se deve realizar atividades físicas durante 48h após a crise por dois motivos: primeiro, a convulsão é um fenômeno que causa exaustão neuromuscular, segundo, atividades físicas podem desencadear uma nova crise.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Como identificar que uma pessoa está sofrendo um AVC

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é um distúrbio de irrigação sanguínea do cérebro. É a terceira maior causa de morte nos Estados Unidos e no Reino Unido, e a causa de 10% de todas as mortes do mundiais. 

Uma pessoa pode estar passando por um AVC sem ao menos perceber. A vítima pode sofrer danos cerebrais sérios sem que as pessoas em voltam percebam os sintomas. Isso porque pouco se é divulgado a respeito do quadro clínico agudo de uma pessoa com AVC.
É importante reconhecer um AVC e seus sintomas, especialmente se você tem contato direto com pessoas que fazem parte do grupo de risco desse distúrbio (esse assunto será abordado com mais detalhes em outra postagem). Há tratamento disponível para minimizar os danos do AVC e, em alguns casos, é capaz de suprimir por completo essas sequelas. Contudo, o paciente deve chegar ao hospital o mais rápido possível, pois o tratamento só é efetivo se realizado com no máximo três horas após o início dos sintomas.

Dessa forma, é muito importante que todos saibam identificar os primeiros sintomas de um AVC agudo.

  • Dormência ou fraqueza súbita na face, braço ou perna, especialmente se atingir apenas um dos lados do corpo;
  • Confusão súbita, problemas de fala ou de compreensão;
  • Dificuldade de enxergar com um ou ambos os olhos;
  • Problemas súbitos de locomoção, tontura, perda de equilíbrio ou coordenação motora;
  • Dor de cabeça súbita ou severa, sem causa aparente.
Para tanto, é possível fazer um teste simples, que compreende três comandos básicos:
  1. Sorria! - Caso o sorriso da pessoa apresentar algum desvio, desconfie de um possível AVC.
  2. Levante ambos os braços! - Uma pessoa que está sofrendo um AVC não conseguirá levantar ou não conseguirá manter levantado um dos braços;
  3. Pronuncie um frase simples! - Um dos sintomas do AVC é a confusão e/ou o distúrbio na fala. Caso a pessoa não consiga formar um frase coerente ou a pronuncia esteja embolada, possivelmente ela estará sofrendo um AVC.
Qualquer desses sintomas podem ser causados por outras condições, como por exemplo a labirintite, o uso de fármacos ou uma patologia primária. Contudo, no caso do AVC, esses sintomas irão aparecer de maneira súbita e sem precedentes. 

Vale ressaltar que qualquer pessoa pode sofrer um AVC, independente da idade, sexo, raça, classe social, forma física... Portanto, se um deses sintomas for identificado é necessário agir com rapidez e procurar tratamento médico emergencial. 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Desenvolvimento neuropsicomotor infantil

A evolução estático-motora do neonato até a idade adulta depende da maturação do sistema nervoso central, sendo determinada por padrões geneticamente estabelecidos e estímulos ambientais.

O desenvolvimento infantil é influenciado por uma tríade, a tríade de Newell, que considera o papel do indivíduo, do ambiente e da tarefa. 

As mudanças durante o primeiro ano de vida são as mais importantes modificações, onde se processam os maiores saltos evolutivos e em curto período de tempo. No primeiro ano, a criança passa de uma posição horizontal para uma vertical, quando aprende a se movimentar contra a gravidade. 

As modificações nos marcos de desenvolvimento típico geralmente são percebidas e relatadas de mês a mês, de forma que as crianças podem ser classificadas como pertencentes a uma determinada faixa etária motora.

Para determinar a faixa etária motora, se considera os seguintes critérios que compõem o desenvolvimento típico infantil:

  • Reflexo: pode ser conceituado como uma mesma resposta motora a um determinado estímulo sensorial. Os reflexos são movimentos simples, cujo controle motor é realizado principalmente pela medula e, algumas vezes, como modulação mesencefálica. Ao longo do desenvolvimento típico eles são suprimidos ou substituídos por reações automáticas.
  • Reações: são movimentos automáticos controlados pelo mesencéfalo e quem incluem padrões rítmicos já bem aprendidos, como a mastigação, a preensão e até mesmo a marcha.
  • Padrões de movimento: se referem as posturas adotadas para possibilitar a execução das habilidades motoras, tais como: supino, prono, sentado, em pé, entre outros. Estes fatores dependem do componente neuromaturacional e permitem o ajuste e a adaptação de acordo com o contexto. Desta forma, os padrões motores básicos ocorrem pelos mecanismos de feedback e feedfoward. O feedback fornece as pistas sensoriais necessárias e o feedfoward realiza os ajuste posturais antecipados, após a automatização do feedback.
  • Habilidades motoras: se referem aos movimentos com controle cortical, que demandam intenso aprendizado motor e são o foco principal da atuação do fisioterapeuta. Estas são consideradas o nível mais elevado de controle motor.
  • Planos de movimento: fazem parte de uma categoria que tem merecido atenção recentemente e dizem respeito à aquisição de movimentos no plano sagital, frontal e transversal. Somente após dominar o plano transversal é que a criança conseguirá realizar movimentos mais complexos como a rotação e até mesmo a escrita.
Todos estes itens possuem relação direta com o desenvolvimento motor que ocorre no primeiro ano de vida. 

A criança quando nasce responde ao meio ambiente de maneira reflexa. Isso ocorre porque o SNC ainda é imaturo e as vias da motricidade voluntária não possuem mielinização suficiente na cápsula interna para que o córtex motor tenha ação principal. Assim sendo, mesmo que intencional, qualquer resposta será meramente reflexa, comandada pela medula e pelo mesencéfalo.

Durante seu amadurecimento o SNC estabelece novas sinapses e, progressivamente, o comportamento motor se transforma. Alguns reflexos se automatizam e se transformam em reação. As reações de equilíbrio, proteção e retificação evoluem e proporcionam estabilidade para que os padrões de movimentos voluntários se estabeleçam. 

Ao mesmo tempo, durante a movimentação espontânea, a criança adquire mobilidade nos diferentes planos de movimento. Inicialmente domina o plano sagital, com os movimentos de extensão e flexão. Posteriormente o plano frontal, com as transferências de peso e a flexão latero-lateral. Por último adquire o plano transversal ou rotacional, que proporciona os movimentos de dissociação, imprescindíveis para as trasnferências de postura, marcha cruzada, entre outras habilidades. 

Recém-nascido

As crianças posicionam-se em supino, com a cabeça lateralizada. Observa-se a retração da cintura escapular, com elevação, adução, rotação interna ou externa dos ombros. Há flexão dos cotovelos, com pronação de antebraços, flexão de punhos e dedos e adução de polegares. A pélvis fica em retroversão com os membros inferiores fletidos sobre o abdômen, quadris em abdução e rotação externa, flexão de joelhos e dorsiflexão dos pés. 

Quando sentado, a cabeça cai para trás sem controle, enquanto os braços, a coluna lombar e o tronco permanecem em flexão.

Em prono, o peso do corpo se encontra mais transferido sobre a cabeça e o tronco, o que impede a movimentação de membros superiores. Há flexão de membros inferiores, com os quadris sem tocar o plano de apoio. O bebê pode virar a cabeça para os lados para liberar as vias aéreas e levantá-la por alguns segundos. 

Os membros superiores movimentam-se em bloco e as mãos podem se abrir, porém os polegares são menos móveis, podem permanecer dentro das palmas das mãos. Os membros inferiores são mais móveis e apresentam movimentos de flexão e extensão alternados. Esta movimentação é reflexa, pode ser intencional pela variedade de adaptação às exigências do ambiente, mas é involuntária. 

  • Sucção: ao encostar o bico do peito na boca da criança, ela começa a sugar;
  • 4 pontos cardeais: quando se toca no rosto da criança, ela irá movimentar a cabeça em direção ao toque;
  • Moro: com a criança suspensa, deve-se deixar a cabeça cair bruscamente. Neste momento, o recém-nascido realizará a extensão e abdução de membros superiores e inferiores, seguidos de flexão e adução;
  • Preensão palmar: quando se coloca algum objeto na mão da criança, ela, automaticamente, irá realizar uma preensão com a mão;
  • Preensão plantar: ao se colocar algum objeto sob os dedos do pé de um recém-nascido, ele irá realizar a flexão dos dedos dos pés;
  • Liberação de vias aéreas: quando colocado em decúbito ventral, o recém-nascido é capaz de realizar uma lateralização da cabeça para um dos lados, afim de liberar as vias aéreas;
  • Gallant: com a criança em decúbito ventral, se estimula a musculatura para vertebral de um dos lados e a criança irá realizar uma flexão lateral para o lado estimulado;
  • Sustentação de membros inferiores: Quando a criança é colocada com os pés apoiados num suporte, visualiza-se uma co-contração dos membros inferiores;
  • Marcha automática: quando se coloca o recém-nascido em pé numa mesa, com anteriorização do tronco, a criança é capaz de desencadear movimentos alternados de membros inferiores semelhantes à marcha.

Primeiro trimestre

Em prono, o reflexo de liberação das vias aéreas evolui para a reação labiríntica de retificação. Progressivamente, com a elevação da cabeça se ativa os músculos extensores do tronco e diminui-se o padrão flexor. Há encurtamento dos flexores de quadril, com adução e rotação externa da articulação coxo-femural.

Em supino, o padrão flexor fisiológico diminui aos poucos. Há chutes alternados que causam trabalho ativo dos abdominais.

Ocorre evolução da reação labiríntica de retificação, o que confere uma melhora progressiva do controle cervical. 

Neste trimestre diminuem os reflexos de sucção, dos quatro pontos cardeais, de Moro e preensão palmar. Os reflexos de sustentação e marcha automática desaparecem.

  • Reação labiríntica de retificação: serve para manter a posição da cabeça normal no espaço;
  • Reação cervical de retificação: quando a cabeça da criança é rodada para um dos lados, segue-se a rotação do tronco em bloco para o mesmo lado;
  • Reflexo Tônico Cervical Assimétrico (RTCA): ao lateralizar a cabeça para um dos lados, observa-se uma maior extensão do membro superior e inferior homolateral ao movimento, enquanto acontece uma maior flexão do membro superior e inferior contralateral ao  movimento.

No final deste trimestre à controle cefálico, descarga de peso dos membros superiores nos antebraços e estabilidade da cintura escapular. Deve-se ressaltar que é comum encontrar posturas assimétricas devido ao RTCA, contudo, estas devem ser suprimidas no final do trimestre, juntamente com o reflexo.

Segundo trimestre

Durante este período as reações posturais estão em pleno desenvolvimento e as crianças experimentam sensações de transferência de peso latero-lateral e de movimentos rotacionais. A reação de retificação cervical será substituída pela reação corporal de retificação.

Em supino verifica-se as mãos na linha média, a extensão dos cotovelos contra a gravidade, a retirada da cabeça do plano de apoio, a ponte, a colocação das mãos nos joelhos e nos pés, o levar os pés a boca, e o rolar. 

Em prono ocorre a posição de balconeio dos membros superiores. O peso do corpo se transfere para a pelve, desenvolvendo a anteroversão, e ocorre a liberação de um dos braços para a exploração do ambiente, com descarga de peso no hemicorpo contralateral. 

  • Reação de anfíbio (prono): quando a criança é colocada em prono e se eleva um dos lados da pelve, o membro superior e inferior homolateral ao estímulo se fletem;
  • Reação de proteção para frente (sentado)
  • Reação de Landau (ventral): colocando a criança em suspensão ventral ela responde com um movimento de extensão de cabeça e tronco;
  • Reação de retificação corporal (supino): quando a cabeça é rodada para um dos lados, a criança irá realizar dissociação de cinturas para o lado homolateral ao estímulo, até que consiga girar todo o corpo.
A criança inicia o sentar lateral pela transferencia de peso pelos membros superiores. A criança também tem capacidade de realizar a descarga de peso nas mãos com cotovelos estendidos.

Ao final deste trimestre a criança já é capaz de passar de supino para decúbito lateral e para prono, por meio da rotação de tronco. Também é capaz de passar para a posição sentada de maneira independente e é capaz de manter-se com aumento da cifose dorsal, da base de sustentação e com membros inferiores e abdução e rotação externa de quadril.

Terceiro trimestre

Este é um período de ampla exploração, visto que a criança já possui os três planos de movimento. Neste período a criança refina suas reações posturais, possui bom equilíbrio sentado e  tem grande liberdade de movimento de tronco e membros superiores.

O engatinhar primeiramente acontece de forma primitiva e depois com dissociação de cinturas. A criança senta nos calcanhares, senta de lado, passa para ajoelhada e semi-ajoelhada e, segurando nos móveis, passa para a posição ortostática.



  • Reação de proteção para os lados: a criança irá apoiar as mãos lateralmente para manter o equilíbrio e proteger de quedas;
  • Mecanismo de feedforward das mãos: as mãos da criança irá se moldar a qualquer objeto que ela segure.

Quarto trimestre

Neste trimestre a criança aperfeiçoa a posição de ortostase, há transferencia de peso e passos para a lateral com apoio e, finalmente, realiza a marcha dependente. A marcha inicial ocorre com base de sustentação alargada, abdução e rotação externa da articulação coxo-femoral, elevação dos membros superiores e fixação da cintura escapular. 

No final deste período a maioria das crianças típicas deambulam, contudo ainda existe uma preferencia pelo engatinhar, pois é uma maneira mais rápida e fácil de locomoção, visto que a gravidade tem uma influencia menor.


Fisioterapia

O conhecimento sobre o desenvolvimento neuropsicomotor é fundamental para o fisioterapeuta. A partir do momento que se reconhece o desenvolvimento típico ou normal se está apto para reconhecer situações de desenvolvimento atípico. Essas situações incluem os atrasos e as condições patológicas, que requerem intervenção com o objetivo de prevenção (estimulação precoce), ou reabilitação (no caso de grandes alterações).

A atuação da Fisioterapia é importante justamente no processo de estimulação do desenvolvimento neuropsicomotor. O fisioterapeuta deve avaliar o bebê e traçar um plano de tratamento, utilizando o ambiente e os brinquedos para trabalhar no sentido de estimular o desenvolvimento da criança, além de incluir os familiares, ensinando-os a melhor forma de estimulação a partir de posturas que influenciem o desenvolvimento motor normal.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Síndrome do túnel cubital


É a compressão do nervo ulnar na região do cotovelo, mais precisamente na porção posterior do epicôndilo medial, entre os feixes longo e curto do flexor ulnar do punho.
As causas são variadas, podendo ser desde o uso excessivo da articulação, passando por algum trauma na região, como também anomalias anatômicas.

O paciente poderá apresentar sensação intermitente de dormência e formigamento na região hipotênar da mão, no dorso medial da mão e no quarto e quinto dedos. Essa sensação pode evoluir para dor na região do cotovelo que se irradia pelo antebraço em sua porção ulnar, pela mão, até o quarto e quinto dedos. Também irá apresentar fraqueza muscular na região inervada pelo nervo ulnar e, em casos mais graves, hipotonia dos músculos da região hipotênar e dorsal média da mão. Todas essas sensações são exacerbadas com a manutenção da flexão de cotovelo.
            Os testes que podem identificar tal patologia são dois:
·         Sinal de Tinel: o nervo ulnar será percutido na região posterior do cotovelo. Será positivo se após alguns segundos o paciente relatar dormência irradiada pelo antebraço.
·         Flexão forçada do cotovelo: o fisio irá realizar uma flexão passiva do cotovelo e irá permanecer nessa posição por cerca de 3 minutos. Será positivo se neste tempo o paciente se queixar de dormência, formigamento ou dor na região ulnar do antebraço.

O tratamento será direcionado de acordo com a gravidade do caso. Em pacientes com sintomas leves, o tratamento é simples: evitar a flexão de cotovelo, principalmente no período noturno, e evitar apoiar os cotovelos. Em pacientes que já referem fraqueza e/ou hipotonia muscular, a cirurgia é a mais indicada.

A fisioterapia entrará na reabilitação logo após o pós-operatório. Durante o período de imobilização (2 semanas), o fisio deverá realizar a mobilização precoce dos dedos e mãos, para evitar o edema e a rigidez articular. Após isso, deverá realizar exercícios de fortalecimento e sensibilização da região ulnar do antebraço e mão. A mobilização do cotovelo deverá ser lenta e progressiva.
O paciente só terá resultado meses após a cirurgia, sendo anulado quase por completo os sintomas da síndrome.