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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Fisioterapia na atenção básica de saúde


O Sistema Único de Saúde (SUS) representou na última década do século XX e nos primeiros anos do século XXI o resultado de uma organização do sistema de saúde que apresentava como diretrizes a integralidade, equidade, universalidade e intersetorialidade. O modelo de saúde proposto ressaltou a atenção integral à saúde, visando, dessa forma, superar o modelo anterior que era baseado na doença.
A Atenção Básica surgiu como forma de organização por meio de ações de saúde e foi reestruturada em 1994 com a implementação do Programa Saúde da Família (PSF) pelo Ministério da Saúde, hoje denominado Estratégia Saúde da Família (ESF).
A ESF é um meio de tentar consolidar os princípios do SUS, representando uma estratégia para reorganização da prática assistencial, composta por equipes multiprofissionais em espaço delimitado.
Por meio da Conferência Nacional de Saúde (CNS), aprovou-se em 2003 a integração de fisioterapeutas na equipe multiprofissional em apoio às equipes de Saúde da Família. Em consonância com as diretrizes supracitadas, a fisioterapia se inclui adequadamente à ESF, visto que se associa ao princípio da integralidade e, por intermédio das questões que a profissão considera,pode proporcionar melhoria na qualidade da população atendida pelas equipes.
O fisioterapeuta como componente da ESF possui atribuições específicas, dentre elas, dar assistência a todas as fases do ciclo de vida, atender pacientes com doenças exclusivas, bem como, orientar, prevenir e melhorar a qualidade de vida.
A importância da inserção do fisioterapeuta nas equipes da ESF se reforça com o fato deste poder ser capaz de intervir em doenças cardiovasculares, com prevenção de agravos por meio de atividade física, em especial os exercícios aeróbicos; cinesioterapia e medidas ou orientações capazes de contribuir para o controle do peso, glicemia e colesterol.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Humanização na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é o ambiente hospitalar onde estão localizados os pacientes mais críticos. Em geral, é um ambiente frio, pela quantidade de aparelhos monitorizadores e pelos profissionais cada vez mais habituados com a situação crítica e, muitas vezes, irreversível dos pacientes.
Sendo assim, esta unidade acaba por se tornar um ambiente com poucas interações inter-pessoais, se tornando um ambiente de trabalho mecânico e desagradável. Os pacientes são considerados leitos e os profissionais da saúde que trabalham no local acabam perdendo um pouco da sensibilidade.

O conceito de humanização pode ser traduzido como uma busca incessante do conforto físico, psíquico e espiritual do paciente, família e equipe multidisciplinar.

Humanizar a UTI significa cuidar dos pacientes como um todo, englobando o contexto familiar e social. É um conjunto de medidas que engloba:

  • Ambiente físico;
  • Cuidado com os paciente e familiares;
  • Relação entre as equipes de saúde;

Estas intervenções visam, sobretudo, tornar efetiva a assistência ao indivíduo criticamente doente, considerando-o como um todo bio-psíquico-sócio-espiritual.

1 Família
Neste momento a equipe deve oferecer à família apoio, explicando e descrevendo o aspecto do paciente, sua real situação de saúde e os equipamentos que foram instalados para monitorização e ventilação.

Antes que o membro da família chegue à beira do leito, a equipe deve prepará-lo para a difícil experiencia de encontrar um familiar ligado à inúmeros aparelhos. Para muitos desses familiares, isso significa morte iminente e raramente eles conseguem se conformar com a situação.


2 Equipe
Os profissionais da saúde que trabalham na UTI são confrontados diariamente com questões relativas à morte, o que pode gerar grande estresse emocional.
Além da morte, os profissionais também passam por outras situações que demandam muito estresse físico e emocional. São exemplo delas:

  • Lidar com a intimidade emocional e corporal do paciente;
  • Limitações técnicas, pessoais e materiais para a realização de seu trabalho;
  • Alto grau de cobrança e expectativas, tanto pessoais quanto de terceiros;
  • Solicitações intermitentes de decisões rápidas e precisas;
  • Desumana tarefa de selecionar quem tem prioridade no tratamento, principalmente devido à falta de recursos;
  • Jornadas prolongadas e de ritmo acelerado;
  • Mudanças repentinas no estado clínico do paciente.

Estas mudanças geram inquietude na equipe como um todo e os faz avaliar as capacidades pessoais de conviver no ambiente da UTI.
É importante que a equipe esteja atenta e colabore para o trabalho interativo, contribuindo para o saber educacional, facilitando sempre o processo comunicacional.


3 Paciente
A pessoa internada na UTI é, na maioria das vezes, dependente e sente-se impotente com a falta de autonomia e controle de si mesmo. Além, é claro, da sensação de isolamento, a doença grave e o medo de morrer. A ausência de atenção pode ter realmente efeitos prejudiciais sobre à saúde e a recuperação.

Pequenas atitudes dos profissionais podem indicar o processo de humanização e resgatar a dignidade do ser humano, muitas vezes abalada pela situação de internação:

  • Chamar o paciente pelo nome;
  • Utilizar tom de voz calmo  e em volume normal;
  • Olhar para o rosto do paciente e estabelecer contato cortês e respeitoso;
  • Dirigir-lhe a palavra sempre que se aproximar do leito ou for realizar algum procedimento;
  • Examinar o paciente de maneira atenciosa;
  • Utilizar-se do toque cuidadoso.


A equipe deve avaliar o comportamento e a adaptação do paciente e apoiá-lo:

  • Ameaça de desamparo;
  • Perda de controle emocional;
  • Sensação de perda de função;
  • Perda de auto-estima;
  • Sensação de isolamento;
  • Medo de morte.


A equipe deve permitir o paciente a realizar pequenas escolhas para aumentar a sensação de controle do paciente sobre si:

  • Utilizar orientação antecipada sobre qualquer técnica que for ser realizada;
  • Fornecer informações e explicações sobre o quadro clínico do paciente;
  • Incluir o paciente em decisões simples.


A equipe deve ajudar o paciente a ter um papel ativo, positivo e não um papel passivo de vítima.